Os Mercados de Accra

Já faz alguns dias que eu escrevi meu ultimo post. Estive ocupada e os sentimentos aqui na Africa ficam aflorados. Inspiração não falta. Falta coragem o suficiente para voltar e reviver alguns deles..

A semana foi cheia de trabalho, o que foi bom. Fiz uma degustação de comida de boteco para o restaurante e foi um sucesso. Merece um post exclusivo. Mas não hoje. Hoje vou falar sobre os mercados locais que visitei. Estes que me deixaram pensando muito. Pensando na vida que é tão similar e tão diferente ao mesmo tempo. Conversando com meu marido e mostrando as fotos ele só disse: “Periferia de Recife”. Mas não. Para mim o sentimento não foi esse. Não sei. Já estive lá e cá. E o cá me impressionou muito…

Os mercados de Agblogboshie e Makola são duas gigantes favelas a céu aberto. Uma das funcionárias do restaurante, A Emília, foi nosso “guia”. Sua avó costuma vender no mercado. Labirintos de vielas com esgoto e pobreza. Gente vendendo, gente comprando. Quiabo, peixe seco, dendê, caracóis, pele de boi, tomate, roupas e o que mais os consumidores estiverem dispostos a comprar.

Andamos por 3 horas e a paisagem não mudava. Às vezes melhorava um pouco, mas sempre essa mesma miséria que estamos acostumados a ver. Mas não a conviver. Essa é a África de verdade. A àfrica que deu origens a nosso povo. Estar aqui me fez entender muito as nossas origens. Queremos fugir para Miami, para a Riviera mas estamos arraigados aqui.

Ao final do dia, que para mim foi um choque, eu estava exausta. Emocionalmente acabada. E as pessoas ao meu redor continuavam a vender e comprar. A comprar e vender. Emília estava feliz. Esta é sua vida, sua cultura. E até entendermos esta cultura seremos o que somos.

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Terra Madre Day

Hoje se celebra o Terra Madre Day, o movimento criado pelo Slow Food vislumbrando a oportunidade de comemorar o alimento local, promovendo produções e métodos de consumo sustentáveis junto às comunidades e aos políticos locais. A rede mundial do Terra Madre, reúne comunidades de 160 Países e trabalha para criar um modelo alternativo de produção e consumo de alimento bom, limpo e justo: bom para o paladar, limpo para homens, animais e natureza, e justo para produtores e consumidores.

Participe!

Participe!

Há muitas maneiras de celebrar o Terra Madre Day, dos pequenos encontros aos grandes eventos: um piquenique ou um jantar, uma visita a um produtor do Terra Madre, uma campanha de sensibilização sobre um tema específico, uma actividade de educação alimentar e do gosto, um encontro entre produtores, chefs, jovens e outros… Ou uma combinação destes elementos. Sejam criativos!

Este ano, o movimento chama a atenção para os alimentos locais em risco de extinção.  No Brasil são milhares de produtos esquecidos, ou quase esquecidos e precisam ser resgatados. A Arca do Gosto é um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais. O objetivo é documentar produtos gastronômicos especiais, que estão em risco de desaparecer. A lista desses produtos você pode verificar aqui.

Se você quiser participar de algum modo, faça como eu: visite um produtor, compre seu produto e não deixe este sabor morrer! Resgate uma receita antiga, da infância ou mesmo um sabor que te traga boas lembranças e divulgue!

Além disso muitos eventos estão acontecendo por várias cidades do Brasil.

Bolo de Milho Fazenda Pau D’Alho – 12 bolinhos

 

Resgate de um Sabor!

Resgate de um Sabor!

Ingredientes:

1 lata de leite condensado

½ xícara de leite

4 ovos

Milho de 5 espigas

5 colheres de sopa de manteiga

1 colher de fermento

erva doce a gosto

canela em pó para polvilhar

Modo de Preparo:

Aqueça o forno a 180 graus.

No liquidificador bata o leite condensado, o leite e os ovos até obter uma mistura homogênea. Acrescente o milho e a manteiga e bata até que o milho fique triturado, mas com bagaço.

Transfira a mistura para uma tigela e misture o fermento em pó e a erva doce.

Asse em forminhas individuais untadas com manteiga e fubá em forno  por 20 minutos ou até que os bolinhos cresçam e fiquem dourados.

Retirar das forminhas e deixar esfriar sobre uma gradinha. Polvilhar canela para servir.

Cuidemos do que nos é dado de graça – Semana Mesa SP

Que dia incrível! Ir ao Salão do Automóvel ou a SP Fashion Week é muito bacana, mas sempre saio arrasada por não ter uma Mercedes ou não ser a Gisele Bündchen. Isso nunca acontece nos eventos de gastronomia! A comida é vida, a comida atrai as pessoas, gera sorrisos, espalha felicidade!

E no 1o. dia do Semana Mesa SP muito se falou e se mostrou da importância do amor com o produtor familiar. O cuidado que ele tem com o ingrediente deve ser recíproco com a pessoa que cuida do nosso alimento. Sem o produtor não haveria o prato final, a obra de arte do chef.

Roberta Sudbrack deu uma aula de amor e carinho que emocionou toda a plateia e recebeu aplausos de pé. Ao falar do cuidado e do compromisso que tem com sua agricultora, Fátima Anselmo. Ao comprar seus produtos garante que os filhos de Fátima possam terminar os estudos. E em contrapartida a instiga com a produção e criação de novos produtos. É uma perfeita via de mão dupla! Todos ganham.

Uma relação de amor

Uma relação de amor

 

Jefferson Rueda trouxe ao palco Cristina, sua criadora de galinhas, e num bem humorado cenário de casa do interior, com galinhas e tudo mais cozinhou ao vivo uma “Galinha ao Molho de Rio Pardo”, e falou da importância do cuidado com o criador e a recíproca deste com o alimento.

A comida de casa

A comida de casa

Guga Rocha e Rafaela Suassuna, dos Laticínios Grupiara, nos brindaram com maravilhosos queijos locais, feitos de leite cru, para deixar qualquer francês babando. André Mifano e Tatiana Peebles, daYaguara Ecológico, contaram a história dos porcos que são lavados 2 vezes ao dia, ouvem música clássica e produzem o melhor presunto cru do Brasil, quiçá do mundo. Mas infelizmente, nenhum de nós poderá prova-los novamente se não in loco, já que, por determinação da legislação estes produtos não podem ser vendidos fora do seu estado de origem por falta do selo SIF (entenda mais aqui). Podemos, sim, comer queijos franceses, presuntos espanhóis mas nossos produtos genuinamente locais estão fora do nosso alcance…

Sim nós temos queijos!

Sim nós temos queijos!

Mas este luta está só começando. Tenho certeza que muitos de nós sairemos deste congresso mais fortes e decididos a criar um terroir nosso. Não podemos deixar a nossa terra morrer. Não devemos perder o que a natureza nos dá de graça. Cuidar de nossos produtores familiares, é um dever de cada um de nós para completar esta via de mão dupla. Se não estaremos caminhando em um único sentido. O dos alimentos processados. E fim…