Mais um pouco das belezas de Ghana…

Estar na África Ocidental foi uma grande surpresa. Se você já leu os posts anteriores já sabe que por aqui não há savanas, nem girafas ou zebras, mas um verde abundante. Um clima de floresta tropical. O clima, a paisagem, o povo me remetem de volta ao Brasil. A um Brasil que parece que conheço pouco. Um Brasil que tem suas raízes aqui.

Após conhecer a Região de Lake Volta fomos para o oeste, para a praia. A região de Cape Coast, onde os primeiros portugueses colocaram os pés em 1471 e fizeram o estrago que ainda reflete nos livros de história e na história de muitos livros.

Hoje, os castelos e fortes da região estão ali, fazendo o papel de manter vivo o horror causado para que não se repita mais. Mas será que cumprem sua função?

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A cidade de Elmina é uma vila de pescadores cheia de vida e borbulhante, que tem mais de 700 anos. Todos os dias os homens saem com suas canoas e regressam com a pesca do dia que abastece todo o país e a exportação para Africa. São mais de 150 canoas, ancoradas na praia de um colorido intenso.

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E claro que, estando numa vila de pescadores o nosso almoço não poderia deixar de ser a pesca do dia. Tilápia frita com banana da terra; um prato muito típico por aqui. Uma ótima refeição depois dos dessabores de visitar o interior do castelo onde a história de horror parece estar viva. Para nós, que temos estas origens não parece tão aterrorizante. Mas muitos turistas não aguentam entrar nas celas e poços. É realmente triste.

TilapiaNa região também está o Parque Nacional de Kakum. É uma área de Conservação de Floresta Tropical e lar para muitos tipos de macacos. O ponto alto são as pontes suspensas e as casas nas árvores. No total são 350 m de pontes penduradas a 30m de altura no meio da floresta. O parque é muito bem conservado e as cordas e cabos todos bem novos. Ufa… Nos foi dito que elefantes de floresta, menor e menos barulhento também vivem por ali. Mas se vivem, estavam quietos demais!

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Ao final do dia nosso check in foi no Blue Diamond Resort. Uma surpresa maravilhosa depois do hotel da noite anterior. Com cabanas pé na areia e distante 2 km da Vila de Apam, o hotel é novo, bem mantido, com redes, espreguiçadeiras e lagosta grelhada frequíssima vindo da vila de pescadores. Quem aí queria ver girafas, mesmo?

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Todo labirinto tem uma saída. Escolha a sua!

A vida é cheia de som e fúria. Gosto muito desta frase e já escrevi aqui no blog algumas vezes. Mas discordo um tanto de Shakespeare. Para mim, é uma montanha russa; um zig-zag; um labirinto com apenas uma saída final. Mas o caminho até lá somos nós que escolhemos!

Passei 96 horas sem conexão de internet. Nas primeiras 24 horas foi estressante. Mas aos poucos relaxei e percebi o quanto me fez bem. Só fiquei triste de não poder compartilhar esses 4 dias de aventura em “tempo real” aqui no blog ou no Instagram. Mas este é o modo de vida ganês que eu estava procurando. Ir a fundo.

Pensei muito sobre como o post anterior me afetou psicologicamente. Achei que ficaria deprimida por muito tempo. Mas foi só embarcar em uma aventura num 4×4 com duas amigas e 2 guias locais* que tudo mudou. A montanha russa deixou de ser amedrontadora para ser divertida. O labirinto, desafiador. Porém eu sabia que sempre haveria uma saída!

Fomos conhecer a região de Akosombo e do Lago Volta, o maior lago do mundo feito pelo homem,  com uma área de superfície de cerca de 8.502 km².

A primeira parada foi na Reserva Ecológica de Shai Hills. Desde 1962 é uma reserva ecológica e um lar para babuínos, antílopes e avestruzes. A área protegida foi lar do povo da antiga tribo Shai  antes de serem expulsos pelos britânicos em 1892. Restos de obras da tribo ainda podem ser encontrados na reserva.

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Por lá pudemos ver alguns babuínos e escalar algumas pedras de onde tivemos a visão de uma paisagem de perder o fôlego. E foi só; nenhum outro animal. Mas ainda tínhamos um dia todo pela frente e um incrível passeio de barco pelo lago. Não sei porque, mas quis descer por um lado diferente daquele que havíamos escalado. E, de repente, surgiu na nossa frente um enorme Baobá. Lindo, frondoso, cheio de frutos. Os frutos** da vida. E um outro. E mais um! Fiquei ali uns segundos pensando que, na verdade, existem várias saídas para um labirinto. Cabe a nós a decisão de qual escolher…

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"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" 
"E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra 
dele"

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Apesar dos infortúnios que viriam pela frente, por aqui escolhemos 4 dias de felicidade! Após deixarmos um hotel 5* onde almoçamos e partir para um hotel sem estrelas e nem água para o banho (!) embarcamos num barquinho para conhecer o lago Volta, os pequenos vilarejos de pescadores ao redor e a felicidade do nosso “capitão” que por anos faz este passeio sentado na mesma cadeirinha todos os dias.

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Ako9 Ako8A vista de um lindo por-do-sol nos deu a esperança de um amanhã cheio de sorrisos de uma gente que não se cansa de tentar ser feliz.

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* Adventures Junkies foi a agência que contratamos para nossa viagem e a qual recomendamos, muito!

** O fruto do Baobá contém seis vezes mais vitamina C, que laranjas, duas vezes mais cálcio que o leite, e abundância de vitaminas do complexo B, magnésio, ferro, fósforo, e antioxidantes.

A aventura começou!

E que aventura para um primeiro dia!!!

Chegar em Accra, capital de Ghana, na África Ocidental é fácil. Tem vários voos vindos de Londres, Nova Iorque, Johannesburgo… Passar na imigração são outros quinhentos… – não posso nem ouvir falar em quinhentos 😦

Apesar de já ter o visto para a entrada no país emitido, tive que esperar uns bons 40 minutos entre indas e vindas de oficiais do exército que fazem a checagem inicial antes mesmo da imigração. Levaram meu passaporte, meu visto, “meu sorriso, no sorriso dela, meu assunto”… E sem entender muito o que acontecia esperei ansiosa ouvindo palavras entre Twi (dileto local) e um inglês com um forte sotaque africano. Mas estava feliz. Afinal, aventura era o que eu queria! E tinha uma amiga, chefe de cozinha do maior conglomerado atual de restaurantes de Ghana, me esperando do lado de fora!

Minha querida amiga chefe de confeitaria concentrada em seu trabalho

Minha querida amiga chefe de confeitaria concentrada em seu trabalho

Após heat screening recebo meu passaporte e um “Akwaaba” = Seja Bem Vinda! Ufa!

A espera da mala, nem vou comentar porque levaria muito tempo para nada… 1h30m entre milhões de ganeses, milhões de malas e adivinhem? A minha única, pequena e singela mala foi uma das últimas a sair do avião e aterrissar na esteira. Mais um tanto de batimentos cardíacos acelerados e lá estava eu a caminho da porta para correr e abraçar minha querida amiga de longa data e muitas histórias de cozinha no porão de um restaurante em Londres!

E a primeira parada? Um consultório dentário!!! Aventura deveria ser mesmo meu nome do meio. Helena é muito singelo para mim! Tive um pequeno acidente enquanto comia – e brincava! – com minha deliciosa pata de lagosta do post anterior e “rachei” um dente! Na dúvida entre passar 3 semanas com este probleminha e morrer de dor de dente na África ou visitar um tandarts (dentista aqui) resolvi pela segunda opção. O que me deixou mais tranquila e mais pobre. Após USD 500 e ser “coroada” em um dental truck – sim, o consultório do MELHOR dentista de Ghana, que trata todas as embaixadas, era dentro de um trailer abandonado e adaptado – claro que o dentista não quis tirar uma foto comigo! – estava pronto para a minha estadia! Mas antes eu juro que fiz uma boa oração e pedi proteção a todos os santos e orixás. Afinal, estou na África!

Acredite se quiser este é o consultório onde recebi uma "coroa"...

Acredite se quiser; dentro deste trailer está o consultório onde recebi uma “coroa”…

A ideia inicial de vir para cá, além de matar as saudades de minha amiga, é conhecer os restaurantes em que ela trabalha, as cozinhas e a cultura local.

Akwaaba!!

Akwaaba!!

Começamos pelo Coco Lounge que é um restaurante de misturas. Um pouco de cozinha brasileira, mexicana e ganesa fazem deste lindo, cheio de estilo bem decorado espaço um novo favorito entre os locais e turistas. A ideia é ter um lugar bem despojado e a vontade, mas a decoração minimamente pensada causa uma impressão de estar em qualquer outra cidade cosmopolita do globo, menos em Accra. Não é nada do que os estereótipos podem dizer da África. E eu adorei tudo isso!

Espaço ultra moderno e aconchegante do Coco Lounge

Espaço ultra moderno e aconchegante do Coco Lounge

Luminárias de penas e garrafas cortadas. Um luxo!

Luminárias de penas e garrafas cortadas. Um luxo!

Claro que a ideia é visitar a África "propriamente dita"; mercados, 
lojas, comida local, o que 99,99% da população faz diariamente. Mas
um pouco de glamour depois de um dente rachado não faz mal a ninguém!
Adega para 900 garrafas dos rótulos mais nobres do restaurante

Adega para 900 garrafas dos rótulos mais nobres do restaurante

Sala para eventos privados patrocinada pela Dom Pérignon

Sala para eventos privados patrocinada pela Dom Pérignon

Uma mistura de culturas na decór

Uma mistura de culturas na decór

Além do ambiente, o serviço e a comida impressionam. Uma mistura de cozinhas da África do México e do Brasil encantam os comensais que lotam diariamente o restaurante tanto no almoço quanto no jantar. Como eu já conheço bem as cozinhas mexicanas e brasileiras 😉 fui de pratos mais africanos. Arroz é algo bem comum por aqui, e quando misturado com um molho bem apimentado formam uma deliciosa combinação com legumes e camarão ou carne.

Rice Bowls com beef, gengibre e muita pimenta!

Rice Bowls com beef, gengibre e muita pimenta!

Rice Bowls de Camarão e Legumes com muita pimenta

Rice Bowls de Camarão e Legumes com muita pimenta

De sobremesa fui do carro chefe da que sai da cozinha de pâtisserie da minha querida amiga Geisa: profiteroles deliciosamente crocante e com muito chocolate ganês por cima. Outro TOP 5 são os donuts: as bolinhas perfeitamente redondinhas, quentinhas e macias exalavam  um aroma suave de limão e também são servidos com uma calda quente de chocolate.

Sobremesa campeã; profiteroles com chocolate ganês

Sobremesa campeã; profiteroles com chocolate ganês

E para fechar com chave de ouro o café muito bem tirado adivinhem de onde? De Ghana, é claro!

Donuts, chocolate e café = paraíso africano!

Donuts, chocolate e café = paraíso africano!

Coco Lounge

Icon House
Stanbic Heights
Airport City – Accra –  0244 222202

yoloxperiences.com

 

 

 

Momentos de Paixão e Aventura! [Bolo de Maracujá com cobertura de falsa mousse]

Notei que ultimamente tenho postado muitas receitas doces, principalmente de bolos. Não é porque meu “sweet tooth” resolveu predominar na minha cozinha, não. Confesso que ainda prefiro as receitas salgadas e que me considero muito crua na parte de confeitaria.

Mas com a correria das últimas semanas está difícil preparar uma refeição que não seja um mexidão dentro de uma panela só, sem medidas nem receita, só mesmo para alimentar o corpo… Meu marido e meu filho, meus grandes fãs, não deixam de elogiar até mesmo estes panelões e querem me convencer de que eu deveria ter um blog “A cozinha do McGyver”. Mas com os projetos da última temporada da minha vida o que quero mesmo são férias!!! E por falar nelas… Sexta-feira embarco para uma grande aventura na minha vida de cozinheira. Então não deixe de seguir por aqui e no Instagram do Gastronomia&+ toda essa aventura.

Por enquanto, delicie-se com esta receita. Eu continuo aqui, apaixonada pelas receitas de bolo que levam iogurte. Ficam fofinhos e úmidos e este, especialmente, por conter maracujá fica ligeiramente mais ácido. Um bolinho para se aventurar e se apaixonar.

Bolinhos de Maracujá com cobertura de Falsa Mousse (Serve 12 bolinhos)

Quem não se apaixona por este delícia?

Quem não se apaixona por esta delícia?

Ingredientes:

3 ovos grandes, preferencialmente orgânicos

170gr de iogurte (1 pote)

a mesma medida do copo de iogurte de óleo vegetal (usei canola)

1 e 1/2 xícaras de açúcar (eu usei somente 1, mas ficou bem azedinho)

2 e 1/4  xícaras de farinha de trigo para bolo*

1 colher de sopa de fermento químico

Polpa de 1 maracujá azedo grande com as sementes, equivalente 1/4 de xícara

Para a “mousse”:

6 colheres de sopa de leite condensado

6 colheres de sopa de suco de maracujá com as sementes.

Resultado de um domingo de feira...

Resultado de um domingo de feira…

Modo de Preparo:

Aqueça o forno a 180 graus.

No liquidificador coloque os ovos, iogurte, óleo e o açúcar e bata em velocidade média por 2 minutos até obter uma mistura bem aerada. Desligue o liquidificador e junte a polpa do maracujá sem bater.

Em uma tigela peneire a farinha de trigo para bolo e o fermento; peneirar a farinha faz com que ela fique mais aerada e deixará o bolo mais leve. Junte a mistura líquida à mistura de farinha aos poucos e vá incorporando com uma espátula mexendo de baixo para cima.

Despeje a mistura em 12 mini forminhas de bolo inglês (6 x 9 4cm) untadas com manteiga e enfarinhada. Ou você pode usar uma forma de bolo comum ou  2 formas de bolo inglês de 18,5 x 6 x 5,5cm.

Leve ao forno e asse por 35 minutos ou até que o bolo esteja dourado e bem assado. Faça o teste do palito. Caso utilize uma forma única deixe assar por 45 minutos. Deixe os bolinhos esfriarem sobre uma gradinha e desenforme-os já frios.

Para a cobertura de “mousse” misture o leite condensado com o suco de maracujá até que coalhe. Cubra os bolinhos e enfeite com as sementes de maracujá!

Cobertura de falsa mousse para arrasar!

Cobertura de falsa mousse para arrasar!

DICAS:

  1. * Para fazer sua farinha de bolo: para cada xícara de farinha de trigo, substitua 2 colheres de sopa de farinha contida na xícara por amido de milho. Isto te dará um bolo mais leve e fofo porque conterá menor quantidade de glúten;
  2. Se quiser também pode fazer uma cobertura de casquinha de açúcar de confeiteiro com água e maracujá. Para cada xícara de açúcar coloque 1/2 colher de sopa de suco de maracujá e 1/2 colher de sopa de água fervente e vá testando a espessura desejada, adicionando mais água, se necessário.