Caldinho de Feijão ganhando fama na África!! [Coletivo Gastronômico]

Quando minha amiga Geisa recebeu a oferta de se mudar para a África e assumir a área de confeitaria do Yolo Group, um grande grupo de restaurantes, eu fui a primeira a incentivá-la, muito. Ela vivia em Londres por 13 anos, tinha uma vida estável. Mais faltava algo mais em sua carreira.

Eu a conheci no restaurante Mocotó que teve vida curta em Londres – não, não é o Mocotó do Rodrigo Oliveira. Logo de cara nos tornamos grandes amigas. O restaurante fechou, cada uma foi seguir sua vida; ela em restaurantes eu em catering. Logo depois me mudei para o México, depois voltei para o Brasil, mas a amizade continuou. Skype e e-mails sempre foram nosso meio de contato. Nos vimos uma única vez nos últimos 8 anos, rapidamente no aeroporto enquanto ela esperava seu vôo de volta para Londres.

E ela aceitou o desafio. E logo me colocou um outro: venha, você, me visitar! E como eu não gosto de ser desafiada 😉 Não recusei a proposta. E com ela veio uma oferta tentadora: montar um cardápio de comida de boteco para um projeto de abrir um bar brasileiro onde antes funcionou a Brazil House, em JamesTown, Accra.

Brazil House é o berço para os afro descendentes que estavam no Brasil e resolveram voltar para o continente africano há mais de 170 anos. Ali nasceu a tribo Tabon. Parece piada, mas é verdade. Esta comunidade recebeu este nome porque tudo o que eles sabiam falar era “tá bom”.

Giselle Mastrosanti, a irmã de Geisa e uma competentíssima diretora é quem administra todas as casas do grupo Yolo e, em conjunto com a embaixada do Brasil, está mergulhada neste projeto para reativar o museu, um centro cultural e um boteco a beira mar. E é aí que eu entro. Nas duas primeiras semanas que passei em Accra fui conhecer os mercados, testar ingredientes e receitas, pois a ideia é ter uma fusão de pratos bem brasileiros com ingredientes locais. E qual não foi minha surpresa que quase todos os ingredientes que encontrei me são muito familiares. A mandioca está por toda parte. Quiabo, banana da terra, azeite de dendê, feijão preto e feijão fradinho foram outros grandes aliados na degustação.Tasting11

Saí muito satisfeita com o resultado e com a promessa de já colocar alguns dos pratos no cardápio do terraço do restaurante! E para minha grande surpresa, o caldinho de feijão foi um sucesso unanime. Divido com vocês a minha receita que ganhou o paladar dos ganeses!

Caldinho de Feijão Preto (Serve 12 porções)Tasting1

Ingredientes:

500gr de feijão preto, preferencialmente bem novo

150gr de paio ou linguiça calabresa cortada em rodelas

50gr de bacon cortado em cubos

2 colheres de azeite de oliva

3 dentes de alho picados

2 echalotas picadas

1 talo de salsão

1 gomo de coentro

1 pimenta dedo de moça (opcional)

Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto

Modo de Preparo:

Escolha o feijão e lave sob água corrente e reserve.

Aqueça uma panela e coloque a linguiça e o bacon e deixe fritar e soltar a gordura. Acrescente o azeite o alho e a chalotas e deixe dourar juntamente com a carne. Acrescente os demais ingredientes e o feijão e cubra com 2 litros de água. Deixe ferver, reduza o fogo e cozinhe em fogo baixo por 1 hora com a panela semi tampada. Teste o feijão que deverá estar bem macio.

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Bata todos os ingredientes no liquidificador adicionando o próprio caldo do feijão até atingir a consistência desejada. Eu gosto bem cremoso…

Sirva com cebolinha picada finamente e crisps de bacon. Para quem gosta mais picante, este molho de pimenta é um delicioso acompanhamento.

Os demais pratos servidos no menu foram:

  • Pão de Queijo Tasting3
  • Dadinhos de Tapioca com Geleia de PimentaTasting4
  • Croquete de Frango com Quiabo servido com vinagreteTasting5
  • Escondidinho de Carne SecaTasting7
  • Falso Acarajé com Bobó de CamarãoTasting8
  • Casquinha de SiriTasting9
  • Peixinho frito na crosta de castanha de caju servido com Aioli de limãoTasting10

Além de outras sugestões:

  • Quiabo tempura com aioli de chipotle
  • Cubos de abóbora e carne seca
  • Calabresa acebolada flambada na cachaça
  • Tapioquinhas de queijo coalho, carne de sol
  • Bolinho de bacalhau

O que acham? Este boteco tem tudo para dar certo?? 😉

DICAS:

  1. Para este caldinho você pode usar feijão carioca, rosinha ou até mesmo branco;
  2. Se você, como eu adora sopas, indico os blogs abaixo para saborear uma deliciosa receita. A partir deste mês o Gastronomia & + faz parte do Coletivo Gastronômico. Um grupo de blogueiros super bacanas onde dividimos receitas, palavras, histórias. Não deixem de visitar!

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My Flavors – Sopa de Couve Flor com Ervilhas Frescas, Repolho Roxo e Tiras de Frango

Ana Claudia na Cozinha – Sopa Creme de Pinhão

 A Casa Encantada – Sopa de Mandioca, Carne Seca e Couve Crisp

Na Cozinha da Gertrudes – Sopa Vermelha

Gordices – Caldo Verde

Panela e Paixão – Sopa de Capeletti e Linguiça

Se Eu fiz Você faz – Creme de Abóbora e Gorgonzola

Feijão no Prato – Creme de Legumes e Nata

O que temos hoje, Elisa? – Sopa de Carne com Legumes

Burburinho na Cozinha – Caldo de Camarão

Experimente+ – Creme de Abóbora Japonesa

Delicious by Mari – Sopa de Chocolate

Artes da Mel – Creme de Feijão Branco e Linguiça

Minha Marmita Tem – Sopa Irlandesa

Better Call San – Creme de Batatas Aveludado com Bacon

Mosaico de Receitas – Caldo Verde de “Mãe”

Mais um pouco das belezas de Ghana…

Estar na África Ocidental foi uma grande surpresa. Se você já leu os posts anteriores já sabe que por aqui não há savanas, nem girafas ou zebras, mas um verde abundante. Um clima de floresta tropical. O clima, a paisagem, o povo me remetem de volta ao Brasil. A um Brasil que parece que conheço pouco. Um Brasil que tem suas raízes aqui.

Após conhecer a Região de Lake Volta fomos para o oeste, para a praia. A região de Cape Coast, onde os primeiros portugueses colocaram os pés em 1471 e fizeram o estrago que ainda reflete nos livros de história e na história de muitos livros.

Hoje, os castelos e fortes da região estão ali, fazendo o papel de manter vivo o horror causado para que não se repita mais. Mas será que cumprem sua função?

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A cidade de Elmina é uma vila de pescadores cheia de vida e borbulhante, que tem mais de 700 anos. Todos os dias os homens saem com suas canoas e regressam com a pesca do dia que abastece todo o país e a exportação para Africa. São mais de 150 canoas, ancoradas na praia de um colorido intenso.

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E claro que, estando numa vila de pescadores o nosso almoço não poderia deixar de ser a pesca do dia. Tilápia frita com banana da terra; um prato muito típico por aqui. Uma ótima refeição depois dos dessabores de visitar o interior do castelo onde a história de horror parece estar viva. Para nós, que temos estas origens não parece tão aterrorizante. Mas muitos turistas não aguentam entrar nas celas e poços. É realmente triste.

TilapiaNa região também está o Parque Nacional de Kakum. É uma área de Conservação de Floresta Tropical e lar para muitos tipos de macacos. O ponto alto são as pontes suspensas e as casas nas árvores. No total são 350 m de pontes penduradas a 30m de altura no meio da floresta. O parque é muito bem conservado e as cordas e cabos todos bem novos. Ufa… Nos foi dito que elefantes de floresta, menor e menos barulhento também vivem por ali. Mas se vivem, estavam quietos demais!

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Ao final do dia nosso check in foi no Blue Diamond Resort. Uma surpresa maravilhosa depois do hotel da noite anterior. Com cabanas pé na areia e distante 2 km da Vila de Apam, o hotel é novo, bem mantido, com redes, espreguiçadeiras e lagosta grelhada frequíssima vindo da vila de pescadores. Quem aí queria ver girafas, mesmo?

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Todo labirinto tem uma saída. Escolha a sua!

A vida é cheia de som e fúria. Gosto muito desta frase e já escrevi aqui no blog algumas vezes. Mas discordo um tanto de Shakespeare. Para mim, é uma montanha russa; um zig-zag; um labirinto com apenas uma saída final. Mas o caminho até lá somos nós que escolhemos!

Passei 96 horas sem conexão de internet. Nas primeiras 24 horas foi estressante. Mas aos poucos relaxei e percebi o quanto me fez bem. Só fiquei triste de não poder compartilhar esses 4 dias de aventura em “tempo real” aqui no blog ou no Instagram. Mas este é o modo de vida ganês que eu estava procurando. Ir a fundo.

Pensei muito sobre como o post anterior me afetou psicologicamente. Achei que ficaria deprimida por muito tempo. Mas foi só embarcar em uma aventura num 4×4 com duas amigas e 2 guias locais* que tudo mudou. A montanha russa deixou de ser amedrontadora para ser divertida. O labirinto, desafiador. Porém eu sabia que sempre haveria uma saída!

Fomos conhecer a região de Akosombo e do Lago Volta, o maior lago do mundo feito pelo homem,  com uma área de superfície de cerca de 8.502 km².

A primeira parada foi na Reserva Ecológica de Shai Hills. Desde 1962 é uma reserva ecológica e um lar para babuínos, antílopes e avestruzes. A área protegida foi lar do povo da antiga tribo Shai  antes de serem expulsos pelos britânicos em 1892. Restos de obras da tribo ainda podem ser encontrados na reserva.

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Por lá pudemos ver alguns babuínos e escalar algumas pedras de onde tivemos a visão de uma paisagem de perder o fôlego. E foi só; nenhum outro animal. Mas ainda tínhamos um dia todo pela frente e um incrível passeio de barco pelo lago. Não sei porque, mas quis descer por um lado diferente daquele que havíamos escalado. E, de repente, surgiu na nossa frente um enorme Baobá. Lindo, frondoso, cheio de frutos. Os frutos** da vida. E um outro. E mais um! Fiquei ali uns segundos pensando que, na verdade, existem várias saídas para um labirinto. Cabe a nós a decisão de qual escolher…

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"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" 
"E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra 
dele"

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Apesar dos infortúnios que viriam pela frente, por aqui escolhemos 4 dias de felicidade! Após deixarmos um hotel 5* onde almoçamos e partir para um hotel sem estrelas e nem água para o banho (!) embarcamos num barquinho para conhecer o lago Volta, os pequenos vilarejos de pescadores ao redor e a felicidade do nosso “capitão” que por anos faz este passeio sentado na mesma cadeirinha todos os dias.

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Ako9 Ako8A vista de um lindo por-do-sol nos deu a esperança de um amanhã cheio de sorrisos de uma gente que não se cansa de tentar ser feliz.

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* Adventures Junkies foi a agência que contratamos para nossa viagem e a qual recomendamos, muito!

** O fruto do Baobá contém seis vezes mais vitamina C, que laranjas, duas vezes mais cálcio que o leite, e abundância de vitaminas do complexo B, magnésio, ferro, fósforo, e antioxidantes.

Os Mercados de Accra

Já faz alguns dias que eu escrevi meu ultimo post. Estive ocupada e os sentimentos aqui na Africa ficam aflorados. Inspiração não falta. Falta coragem o suficiente para voltar e reviver alguns deles..

A semana foi cheia de trabalho, o que foi bom. Fiz uma degustação de comida de boteco para o restaurante e foi um sucesso. Merece um post exclusivo. Mas não hoje. Hoje vou falar sobre os mercados locais que visitei. Estes que me deixaram pensando muito. Pensando na vida que é tão similar e tão diferente ao mesmo tempo. Conversando com meu marido e mostrando as fotos ele só disse: “Periferia de Recife”. Mas não. Para mim o sentimento não foi esse. Não sei. Já estive lá e cá. E o cá me impressionou muito…

Os mercados de Agblogboshie e Makola são duas gigantes favelas a céu aberto. Uma das funcionárias do restaurante, A Emília, foi nosso “guia”. Sua avó costuma vender no mercado. Labirintos de vielas com esgoto e pobreza. Gente vendendo, gente comprando. Quiabo, peixe seco, dendê, caracóis, pele de boi, tomate, roupas e o que mais os consumidores estiverem dispostos a comprar.

Andamos por 3 horas e a paisagem não mudava. Às vezes melhorava um pouco, mas sempre essa mesma miséria que estamos acostumados a ver. Mas não a conviver. Essa é a África de verdade. A àfrica que deu origens a nosso povo. Estar aqui me fez entender muito as nossas origens. Queremos fugir para Miami, para a Riviera mas estamos arraigados aqui.

Ao final do dia, que para mim foi um choque, eu estava exausta. Emocionalmente acabada. E as pessoas ao meu redor continuavam a vender e comprar. A comprar e vender. Emília estava feliz. Esta é sua vida, sua cultura. E até entendermos esta cultura seremos o que somos.

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A Vila de David

Estou na África. E antes que você pergunte onde estão as zebras, girafas, leões e savanas, vou desapontá-lo. Estou na África Ocidental, a África sub-saariana. A África Verde. A África de praias, coco, milho, arroz, palmeiras e cacau. Aqui, os animais que cruzam as ruas são cabras e bodes…

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É uma África verde. Muito verde. É uma África pobre. Muito pobre. Sempre li que entrar na África por Ghana é um bom começo. Fico imaginando o que será pior. Estou em Accra, a capital do nono país africano (são 54 no total) em BIP e a infra-estrutura é precária. Além das avenidas principais poucas são as ruas com asfalto. Saneamento básico também é outro item escasso. É um Brasil de muitas décadas atrás. É triste ter viajado para vários continentes deste mundão e ver que este aqui foi esquecido… Mas é bom saber que o povo não se sente tanto assim. Há alegria. Há esperança. Há sorrisos espalhados por estes 27 milhões de habitantes. E é sobre isso que vou falar aqui.

Ontem saímos para conhecer um vilarejo onde se produz palmeiras e cacau. Após percorrer 30km ao noroeste de Accra e passar a cidade de Kasoa, um ponto de comércio como nunca havia visto nada igual, a paisagem da viagem é totalmente rural. Foram 180 quilômetros em 4 horas de viagem, R$ 0,50 de pedágio, 3 paradas policiais para propinas. E isto somente na ida! Um verdadeiro rally.

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David é um dos motoristas da empresa de restaurantes onde trabalha a minha amiga. E ele estava designado para nos levar nesta que seria uma das mais incríveis aventuras da minha vida. E talvez a dele, também. Mas disso eu não sabia.

A primeira parada foi em Akim Oda para ver a Big Tree. Esta é, supostamente, a maior árvore da África Ocidental, medindo 66 metros de altura com um perímetro de cerca de 11 metros. São nove reservas florestais em toda a região e um verde de perder o fôlego. Mas infelizmente a área florestal caiu 8,2 milhões de hectares e continua a diminuir rapidamente devido à demanda tanto para as exportações quanto para a construção. Plantações florestais estão sendo introduzidas nas proximidades Akim Oda e poderá ajudar a reverter este declínio.

Cocoa1Cocoa2Cocoa3Deixamos Akim Oda e partimos em direção a pequena plantação de palmeiras onde trabalha o pai do David, produzindo o vinho da palmeira. É uma bebida muito comum por aqui. Pode-se tomá-lo como um suco, na primeira extração, ou fermentado, como uma aguardente.

Ao chegarmos na plantação, um senhor pequeno e bem apessoado aproximou-se de David e lhe deu a mão. Os olhos de ambos se encheram de lágrimas. “Este é meu pai”, disse o motorista. Vendo a emoção, perguntei há quanto tempo não se encontravam e ele me disse que faz aproximadamente 4 anos que o havia visto pela última vez. Sugeri um abraço. Ele pediu licença e abraçou o pai. Sorriu e lhe deu um beijo na testa. E eu virei o rosto pois já não conseguia conter a lágrimas. David deixou a vila para estudar e trabalhar em Accra. Quando saiu de lá na última visita, seu irmão mais novo tinha acabado de nascer.

Cocoa7A extração do vinho da palmeira é muito similar à extração da seringueira. A seiva é extraída e recolhida em um recipiente que é fixado logo abaixo da planta onde há um orifício por onde drena. O líquido branco da primeira extração tende a ser muito doce e não-alcoólico antes de ser fermentado. Lembra um pouco o sabor de água de coco.

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Seu pai vive desta extração e de algumas sacas de cacau que provém de sua pequena fazenda. Sua ideia é montar sua própria lojinha para vender o vinho da palmeira já que muitos turistas vem visitá-lo e conhecer seu business. São 4 pessoas ao todo que trabalham ali ajudando diariamente na produção.

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Neste mesmo pedaço de terra vivem outras famílias que produzem fufu e banku para venda no mercado local. Fufu e Banku são comidas muito tradicionais na culinária africana. Pode-se compará-los ao nosso pão. São feitos de mandioca e banana da terra e mandioca e farinha de milho, respectivamente. São pilados até formar uma massa depois cozidos em forma de bolas e tradicionalmente comidos com um caldo grosso que pode conter peixe, tomate, óleos e carne.

Cocoa15Cocoa16Após deixarmos a plantação de palmeiras fomos para a pequena fazenda de cacau. A terra é bem pequena, mas rende o sustendo da família. É um processo totalmente artesanal e orgânico. O pai de David está em busca de parceiros e investimentos para espalhar suas sementes por mais terra. Mas o dinheiro é escasso. Ele recebe GH$ 200 pela saca de grãos de cacau seco, o que equivale a R$ 159,00. A cotação no Brasil hoje está em R$ 480,00 (Fonte: http://www.mercadodocacau.com.br). Infelizmente ele ainda não está no mercado Fair Trade. Hoje Ghana é o 3o. país produtor de cacau, com 17% da produção mundial.

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E o que seria melhor que almoçar – estávamos até então sem comida, nem ida ao banheiro! 😉 – cacau colhido fresquíssimo do pé. Uma delícia!

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O restante da família também trabalha na lavoura plantando, colhendo, secando e fazendo o transporte do cacau. É realmente uma produção familiar.

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E lá fomos conhecer a vila e a família envolvida neste trabalho. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Ao chegarmos na casa onde vivem todos, irmãos, primos, nanas (patriarcas das famílias), esposas fomos recebidos por um bando de crianças que brincavam no pátio. Ao nos verem começaram a gritar e correr. Eu achei que fosse por ver David; mas não. Elas gritavam Obruni, obruni, obruni, o que quer dizer pessoa branca, turista. Vieram todas nos rodear e sorriam como se eu fosse a Fada Madrinha. Sorri de volta e assim começou uma corrente de sorrisos e gargalhadas. Meu coração batia a mil por hora. Corri atrás de todas elas e em questão de segundos pulávamos e cantávamos pelo pátio. Foi um momento que eu não consigo descrever aqui. E sentada na frente deste computador agora, a saudade daqueles sorrisos e abraços me assolam. Tenho certeza que eles já não se lembram disso. Mas é algo que nunca esquecerei na minha vida.

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Agradeci ao David pelo dia incrível em sua vila. E ele me disse: “Se a senhora está feliz, eu estou mil vezes mais. Eu é que tenho que lhe agradecer por ter a oportunidade de fazer parte deste momento. Deve ser o dia mais feliz da minha vida…”

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