Alimentação Consciente [Mindfullness – Receita para a Vida]

Comecei a meditar. Precisava de um estímulo para seguir em frente sem pirar. Os braços já estavam curtos para segurar tudo aquilo que eu tinha assumido. Não sabia ao certo se, com a idade, este é um fenômeno ou se eu tinha assumido muito mais responsabilidade do que eu conseguiria dar conta. Na verdade, eu sabia. Só não conseguia aceitar…

Por isso fui parar numa sala de meditação. Mas nunca fui de acender incensos, nem de fazer ioga. O mundo lá fora está correndo muito rápido para eu desacelerar. Foi aí que descobri a técnica de Mindfulness. Em uma frase simples, esta técnica é ter “a capacidade de se lembrar”, é a ideia é de estarmos conscientes do que se passa no nosso corpo, na nossa mente, nos nossos pensamentos e nas nossas emoções. Ou seja, de nos lembrarmos de prestar atenção, a ter consciência de nós próprios. Atenção Plena, para sair do automático e estar presente em nossa totalidade numa situação seja ela boa, ou um caos.

Atenção Plena no Presente!

Atenção Plena no Presente!

E lendo muito sobre isto encontrei algumas matérias sobre alimentação consciente, no sentido de não simplesmente mastigarmos e nos nutrirmos. Mas saber o que aquele alimento gera em nós em termos de sentimentos conscientes.

Uma das matérias que li, muito interessante, foi destaque em um artigo do New York Times no ano passado, em que o jornalista Jeff Gordinier visitou um monastério budista, onde os praticantes foram incentivados a comer em silêncio, e mastigar cada pedaço de alimentos como explorando os seus sabores, texturas e cheiros nos mínimos detalhes. Mas comer consciente não tem que ser uma questão de tudo ou nada.

Na verdade, como o artigo de New York Times afirmou, há uma abundância de formas de trabalhar mindfulness em seus hábitos alimentares diários, sem a necessidade de se tornar um monge budista, ou mastigar uma uva passa por três dias seguidos.

Um estudo, por exemplo, acompanhou mais de 1.400 pessoas que praticaram mindful eating (alimentação consciente) e todos mostraram ter menor peso corporal, uma maior sensação de bem-estar, e menos sintomas de transtornos alimentares após a prática. Mas comer consciente só irá funcionar para você puder torná-lo compatível com o seu estilo de vida.

Aqui vão algumas dicas favoritas para introduzir mindfulness em suas refeições de uma forma fácil, acessível e sem ter que transcender a outro estado de espírito!

Coma mais devagar

Comer devagar não significa que você precisa ir ao extremo da mastigação. Ainda assim, é uma boa idéia para lembrar que a alimentação não é uma corrida. Dedicar tempo para saborear e apreciar a sua comida é uma das coisas mais saudáveis que você pode fazer. Por isso programe-se para fazer sua refeição. Dê o tempo necessário para ela. Neste ritual você estará mais propenso a perceber quando está satisfeito e mastigar os alimentos por um pouco mais de tempo ajudará significativamente a digeri-lo mais facilmente, e você provavelmente irá se surpreender com sabores que poderiam ter passado desabercebido. Se você tem filhos pequenos, por que não tentar fazer um jogo? Quem consegue mastigar os alimentos por mais tempo? Ou comer com hashi, pauzinhos japoneses, pode ser uma forma divertida de retardar as coisas.

Devagar e Sempre, porém focada no hoje!

Devagar e Sempre, porém focada no hoje!

Saboreie o silêncio

Comer em completo silêncio pode ser impossível para uma família com crianças, eu sei. Mas você ainda pode encorajar algum tempo de silêncio e reflexão. Mais uma vez, tente introduzir a idéia como um jogo – “vamos ver se podemos comer por dois minutos sem falar” – ou sugerindo que uma refeição por semana seja apreciado em relativo silêncio e depois todos os pensamentos que surgiram naquela refeição possam virar uma história. Se a hora da refeição da família é um momento muito importante para uma conversa, para falar do que aconteceu no dia, na escola ou no trabalho, considere a introdução dessa na sua hora do lanche ou num momento em que coma sem companhia.

Ainda que seja só uma xícara de chá...

Ainda que seja só uma xícara de chá…

Saborear seu chá ou café em completo silêncio quando ela está muito ocupado para uma refeição consciente completa, já vale uns minutos de meditação!

Silencie o telefone. Desligue a TV.

Acho que esta é a dica mais difícil hoje em dia, principalmente para muitos de nós que trabalha divulgando fotos de lugares e comida. Nossas vidas diárias são cheias de distrações e não é incomum comermos com a TV ligada ou um membro da família brincando com seu telefone. Considere fazer a hora da família em alguma refeição do dia. Aquele momento em que todos se sentam a mesa, sem eletrônicos, sem discussões ou confusão. Claro que os momentos de pizza em frente a TV vendo o jogo de futebol acontecerá. Mas a escolha da alimentação consciente deve ser uma regra, não a exceção.

Momento de Gratidão. Pratique!

Momento de Gratidão. Pratique!

Preste atenção ao sabor

O azedo de um limão, o picante da rúcula, o crocante de uma massa de pizza… prestar atenção aos detalhes de nossa alimentação pode ser uma ótima maneira de começar a comer conscientemente. Afinal, quando você come em movimento ou devora suas refeições em cinco minutos, pode ser difícil perceber o que você está mesmo comendo, e muito menos verdadeiramente saborear todas as diferentes sensações de comê-lo.  Você está, apenas, matando a fome. Se você está tentando introduzir alimentação consciente na sua vida, considere pensar mais sobre os sabores e texturas dos alimentos. Em casa, pergunte aos seus filhos qual o gosto do abacate ou como é a textura do brigadeiro na boca. Além da percepção gustativa com certeza o vocabulário a criançada terá um avanço!! 😉

Nosso cérebro é um catálogo de informações que precisamos ordenar

Nosso cérebro é um catálogo de informações que precisamos ordenar

Conheça o alimento

Mindful Eating é, realmente, uma técnica para reavivar o relacionamento com a nossa comida. Plantar uma horta, ou assar o seu próprio pão de fermento natural, ou ainda visitar o produtor local, são atos que nós, defensores do alimento justo e limpo fazemos há anos. Mas não são apenas maneiras de cortar o nosso foodprint de carbono. Temos, também, que nos conectar com a história por trás da nossa comida. Mesmo quando você não tem a mínima idéia de onde o alimento que você está comendo veio, tente questionar a si mesmo sobre: quem plantou isso? Como? De onde veio? Como chegou até aqui? Tenha certeza, você não só vai ter uma gratidão maior pelo alimento, mas também vai notar mudanças nos seus hábitos de compras e desperdícios.

Conheça as suas escolhas

Conheça as suas escolhas

Como eu disse, alimentação consciente não tem de ser um exercício de concentração de super-humano, mas sim um compromisso simples de apreciar, respeitar e, acima de tudo, desfrutar a comida que você come todos os dias. Pode ser praticado com salada ou um sorvete, brigadeiro ou tofu, e você pode praticar em casa, no trabalho, ou até mesmo quando come uma coxinha no caminho para a academia. Mas preste atenção. Coma com prazer. Com a consciência do que está fazendo.

E quando o foco se torna como você come e não o que você come, você perceberá que as coisas que você deseja comer mudarão dramaticamente. Para Melhor!

Você escolhe o alimento que ingere, mas ele determinará quem você é!

Você escolhe o alimento que ingere, mas ele determinará quem você é!

A Assertiva Mindfullness, empresa onde faço meu curso de meditação tem um workshop bastante interessante sobre o assunto para quem tiver mais interesse. E assim que eu for descobrindo novos textos bacanas posto aqui!

“Sorria, você está sendo” 🙂

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